sábado, 11 de maio de 2013

LÍNGUAS EM CORINTO...



         UM POUCO DE HISTÓRIA:
          Para melhor entendermos sobre “Línguas na Igreja em Corinto” vejamos, primeiro, um pouco de sua história.
          Corinto era uma cidade portuária a beira do mar Egeu. A cidade Foi destruída em 146 aC pelos romanos, mas restabelecida como colônia em 44 aC. Nos dias de Paulo era a capital da província da Acaia e sede do proconsulado romano que governava a parte sul e central da Grécia. Construída num istmo estreito de terra que unia a Polinésia com a Grécia principal, era banhada pelo Golfo de Corinto. No auge da sua prosperidade comercial muito ativa, tinha uma população estimada em duzentas mil pessoas livres e quinhentas mil escravas. Era um centro do comércio marítimo e da navegação militar do Império Romano, que tudo dominava naquela época. Para ali afluíam todas as etnias, gentes de todas as nações do Império Romano. Isso significava que ali se encontravam pessoas que falavam as línguas dessas nações. Embora fosse o latim a língua de Roma e de todo o seu sistema militar e jurídico que regia o império, não era a língua comum de comunicação entre os povos do império. Esta era o KOINÉ. Isto porque antes do Império Romano o mundo fora dominado pelo poder  grego; que popularizou em todas as terras a sua forma de linguagem. Portanto a língua grega de então, conhecida pelo nome de koiné, era como a língua inglesa hoje entre os povos. Se você fala inglês encontra quem te entende em qualquer nação do mundo. A cidade de Corinto era uma cidade de origem grega, ou seja, o koiné era a língua nativa (nesta se escreveu todo o Novo Testamento). Em sua segunda viagem missionária, Paulo permaneceu ali durante os anos 51 e 52 dC.
          CERTAMENTE o evangelho reuniu num só corpo, convertidos dentre todas as nações. Na igreja se reuniam todos que criam no Senhor Jesus fossem de origem de qualquer nação ou raça. E a igreja em Corinto enfrentou, em extremado grau, a dificuldade de ter inumeráveis membros falando apenas as suas línguas maternas.
Imagino eu, que só falo português, entrando na igreja em Corinto. Mas, para que não fique só na busca de entender o que se passou na igreja em Corinto, convido meu irmão leitor destas linhas, a se imaginar também, entrando lá e participando da vida da igreja. Talvez o irmão tenha mais graça que eu e conheça a língua grega na qual Paulo escreveu as cartas. Então teria grande vantagem. Mas se não, se fosse como eu, o aperto ia ser grande. Como grande deve ter sido para um irmão que, supondo, tenha vindo das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene (cp. At 2.10), entrar numa igreja onde muitos falam apenas as suas línguas e uma diferente das outras, ...eu acho que era melhor nem sair de casa. O que você acha? Para quem não gosta de complicações talvez seja isto uma boa ideia, mas não é assim que agrada ao Senhor, que nos uniu num só corpo. A dificuldade tem de ser enfrentada; embora as coisas não lhes foram fáceis. E nós, somos de menor coragem que eles?
         Bom, podemos dizer: “Na minha igreja aqui no Brasil não temos estes problemas, portanto, deixemos as dificuldades com quem as tem”. De fato, as coisas podem ser tratadas assim, mas se quisermos compreender o que se passou quanto as “diversas línguas” faladas na igreja em Corinto, não podemos ignorar esta dificuldade que enfrentaram. Aliás, foi motivo de Paulo tratar em sua primeira carta “a questão de irmãos falando em outras línguas na igreja”. Então, os escritos de Paulo aos coríntios podem e de fato são úteis para nós hoje; pois normatizam a nossa conduta na igreja quanto a questão de línguas.
          Foi por volta do ano 57 dC, quando, de Éfeso, Paulo lhes escreve a primeira carta. A igreja em Corinto foi fundada por seu trabalho evangelístico; e também cresceu e se edificou por seu ministério. Tudo ali lhe Ra familiar (At 18.1-11). MAS, se as coisas que aconteciam naquela igreja eram familiar para Paulo, seriam para nós hoje, leitores daqueles escritos? Para um membro daquela igreja ao ouvir as cartas, tudo lhes soou coerente, pois tratavam dos fatos como ocorriam por lá. Nada naqueles escritos lhe era descabido ou sem sentido. E o fato de sabermos que na igreja em Corinto participavam irmãos provenientes das mais diversas nações, só falando suas línguas de origem, é fundamental para sabermos o que passava por lá, e entendermos o que Paulo escreve sobre línguas na igreja. E MAIS, visto que hoje, devido a este assunto de línguas, a igreja de nosso Senhor Jesus Cristo se encontrar dividida devemos examiná-lo com especial atenção.
          NOTA: Hoje conhecemos muitas e diferentes interpretações que cristãos sinceros dão aos escritos sobre “línguas” em Pentecostes e na igreja em Corinto. Certamente não podem TODAS estar certas se interpretam de modos diferentes; pois a verdade é singular, é uma coisa ou outra. Devemos buscar a verdadeira interpretação das Escrituras em todos as seus ensinos.  Se a minha interpretação (ou parte dela) não for igual ao entendimento que o Espírito Santo deu ao escrito sacro no que escreveu, certamente será reprovada. Portanto, ainda que me credencie estar interpretando corretamente determinado texto ou assunto das Escrituras, é dever de prudência meu “examinar as interpretações dos outros irmãos”. Devemos examinar as interpretações não de má vontade, mas creditando a possibilidade de a minha interpretação estar confundida. Tenho feito isto. Se alguém ao ler este estudo aprová-lo, mas ainda não conhece as interpretações diferentes desta, então, da minha parte, recomendo que examinem. Examinem e conheçam bem todas as interpretações que cristãos sinceros dão a estes escritos de Paulo. Nossa fé deve ser apoiar em CONVICÇÃO, não em fanatismo.

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